Chefes de equipa da urgência do Hospital do Litoral Alentejano demitem-se

É “frequente existir um só elemento escalado para o Atendimento Geral durante o dia e a noite”, queixam-se os 16 médicos.

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Os chefes de equipa do serviço de urgência do Hospital do Litoral Alentejano demitiram-se esta quinta-feira em bloco, alegando que as condições de trabalho se têm vindo a degradar desde Novembro e que “põem em risco a segurança dos doentes”.

Em carta enviada ao director clínico, os médicos que têm assumido a chefia de equipa da urgência deste hospital alegam que são “sistemáticas” as “desconformidades” na urgência, “sendo frequente existir um só elemento escalado para o Atendimento Geral durante o dia e a noite”.

“A degradação das condições de trabalho no serviço de urgência, quer em termos de falta de material quer em termos de falta de pessoal, tem vindo a ser progressiva, com desconformidades sistemáticas da escala de urgência, nomeadamente do Atendimento Geral e do Atendimento Pediátrico”, sustentam.

“Há dias em que doentes com pulseira amarela [urgente] e verde [pouco urgente] chegam a aguardar nove horas para serem atendidos”, descreveu um demissionário, pedindo para não ser identificado. Em média, este serviço atende cerca de 120 pessoas por dia, mas tem tido “picos”, com afluências diárias que chegam “aos 150 e aos 200 doentes”, acrescentou.

Os 16 médicos que assinam a carta recordam que já em Novembro enviaram um primeiro alerta ao Conselho de Administração do hospital, em que elencavam as “condições mínimas” para o serviço poder funcionar.  Em Dezembro, voltaram a avisar o Conselho de Administração que, segundo afirmam, “nunca se mostrou realmente interessado em discutir a problemática” do serviço de urgência.

Como a situação não se alterou, mesmo depois de em Janeiro “ter havido orientações da tutela “ para o reforço das equipas das urgências a nível nacional, decidiram demitir-se do cargo durante uma reunião realizada esta quinta-feira, embora continuem em funções, explicam os médicos que não querem “ser responsabilizados” por eventuais problemas que se venham a verificar.

Na carta, avisam que se prevê ainda “a redução da capacidade de internamento do hospital”, devido à passagem da unidade de cuidados paliativos para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, o que, temem, “virá a agravar a capacidade de escoamento” do serviço de urgência.

Integrado na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), este hospital serve uma população de cerca de 200 mil pessoas espalhadas por uma extensa área geográfica, que inclui os concelhos de Santiago do Cacém, Odemira, Alcácer do Sal, Sines e Grândola. Na ULSLA (que inclui os  cinco centros de saúde da região), só os centros de Odemira e o de Alcácer do Sal funcionam 24 horas.

Notícias de Sines com Público

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