Obras que faziam falta para o verão mas só ficam prontas no inverno

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As obras que desesperaram condutores nas viagens para o Algarve estão quase a ficar prontas. A via entre Sines e Santo André vai abrir totalmente ao trânsito amanhã

Quem como Paulo Vinagre fez neste verão o caminho rumo às férias no Algarve pelo IP2, com partida do Redondo, testemunhou o “suplício” dos automobilistas – como o adjetiva – ao longo de cerca de 50 quilómetros de estrada que mais parecia um “estaleiro”, conta. “Esbarrou” com sucessivas obras na via, demoradas filas de trânsito, passagens alternadas e até circulou por “caminhos de cabras”, diz. Mas só agora as obras chegaram ao fim, segundo o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Ramalho, ficando até final do ano outras intervenções em mais cinco polémicas vias do Baixo Alentejo, num total de 200 quilómetros, concluídas. A via entre Sines e Santo André, separada por pinos há cinco anos, na qual os carros têm feito gincana, vai abrir totalmente ao trânsito amanhã.

“Um ano inteiro para fazerem as obras e logo teve de ser no verão?”, questiona Paulo Vinagre, que no regresso a casa fez questão de contar o tempo. “De Castro Verde a Portel (cerca de 75 km) demorei duas horas. Só à saída de Beja estive parado 15 minutos, numa zona de trânsito alternado, porque estava a fazer uma rotunda. Mas de Vilamoura a Castro Verde (100 km) fiz 56 minutos”, relata.

Por isto e porque as obras do IP2 estiveram paradas mais de quatro anos, os protestos seriam transversais a condutores, moradores, autarcas e empresários, que após um rol de manifestações a exigir o recomeço das obras voltaram agora a circular no novo “tapete de alcatrão” entre Évora e Beja.

António Ramalho revelou ao DN que a solução encontrada para desbloquear o impasse em que tinham mergulhado as obras neste itinerário, devido à falta de verbas, foi também aplicada para o troço da A26, entre Sines e Relvas Verdes e entre Sines e Santo André, e ainda à ligação de Grândola (nó do IC1) a Santa Margarida do Sado. Todas as empreitadas vão estar concluídas até final do ano.

Decisões tomadas após o plano de revisão, que reduziu o orçamento para metade, baixando de dois mil milhões para mil milhões de euros. Para 2016, vai avançar a intervenção nos 20 quilómetros que ligam Alcácer do Sal a Grândola (ver caixa), segundo garantia de António Ramalho.

Pinos com dias contados

Daí que quem circule pelas estradas do Baixo Alentejo se tenha cruzado durante todo o verão e até aos dias de hoje com maquinaria nas vias e nas bermas, como tem sido o exemplo da Estrada Regional 261-5, a mesma que tem perfil de autoestrada, entre Sines e Santo André, onde se têm mantido os polémicos pinos a separar as vias desde que as obras foram suspensas em 2011.

O prazo de conclusão está agendado para amanhã, após “pequenos trabalhos e colocação de sinalização e vedações”, sublinha o presidente das IP, assumindo que os pinos “têm permanecido lá todo este tempo por questões de segurança e decisão do gestor do Instituto de Mobilidade e Transportes”. Mas para reduzir custos foi preciso cortar algumas obras, como foi o caso da A26, que deveria ligar Grândola a Beja mas que irá ficar por Santa Margarida do Sado, ainda antes de Ferreira do Alentejo. As terraplenagens e o betão colocados antes da suspensão da empreitada continuam a fazer paisagem, entre pinhal e montado. Mas os autores do plano de reestruturação consideraram que “não justificava” ir mais além. Os cerca de cinco mil veículos que diariamente circulam na Estrada Nacional 259 vão mesmo ter de continuar a utilizar a mesma via.

“Não se justifica uma autoestrada com menos de dez mil carros por dia. Se pensarmos que a média de transferência da estrada para a autoestrada quando é portajada (como estava previsto) varia entre os 25 e 30%, concluímos que teríamos aqui menos de dois mil veículos. Isso não existe”, justifica António Ramalho, garantindo que o troço com cerca de 12 quilómetros vai ser gratuito.

Já a empreitada para o IC33 entre Santiago do Cacém e Grândola surge na lista das IP com o rótulo de “investimento condicionado”, orçado em 40 milhões de euros, que não está previsto para avançar antes de 2017. Isto porque a prioridade na região está dada à ferrovia e só depois da estrutura ferroviária estar montada os técnicos vão tentar perceber se a obra se justifica em função do tráfego rodoviário. “Se a ferrovia continuar a movimentar 90% do tráfego em Sines, não há justificação para uma intervenção tão pesada naquele troço”, adianta António Ramalho.

Notícias de Sines com DN

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