Entrevista de João Franco à Antena 1

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Numa entrevista concedida à Antena 1, o presidente da APS, João Franco, dissertou sobre variados temas que englobam a actividade portuária, a administração dos portos de Sines, Faro e Portimão, os condicionalismos de uma economia nacional de pouca escala, a evolução da economia internacional, a morfologia do negócio portuário e suas necessidades e também as perspectivas futuras no que toca aos investimentos infra-estruturais.

Instado a analisar a performance do Porto de Sines dentro do contexto macroeconómico internacional, João Franco explicou: “No contexto internacional, o segmento de mercado que vai crescendo mais é o segmento dos contentores, o que explica que em Sines, o terminal de contentores tenha tido crescimentos espectaculares nos últimos anos (68% há dois anos, 32% o ano passado); este ano será bastante menos (…) sendo nós um porto de transhipment, estamos muito ligados ao que acontece acontece ao nível mundial, portanto, há uma perturbação, diminuição da actividade com a China”.

Traçando o perfil do Porto de Sines como sendo maioritariamente uma plataforma de Transhipment, a conclusão do presidente João Franco é a de que Sines está umbilicalmente ligada às contingências económicas num plano global. O refrear da actividade económica chinesa é pois assim, um travão à fluídez dos índices de exportação de mercadorias e do transporte das mesmas – “daí que a mercadoria oriunda da China destinada a outros portos do mundo – que é movimentada depois aqui em Sines, porque é o primeiro porto onde os navios atracam quando vêem do extremo oriente – tenha sofrido uma quebra face às previsões, evidentemente que vamos continuar a crescer”, explicitou.

Ainda assim, as previsões seguem a linha do sustentado crescimento em Sines: “no segmento dos contentores as expectativas é de crescermos na casa dos 7/8% e no total muito acima dos 15%, entre os 15% e 20%. Todos os anos há crescimento, sempre muito significativo. Crescimento estrutural (…) pode crescer mais ou menos, mas sempre acima da média europeia”, afirmou João Franco.

O presidente do Porto de Sines explicou ainda que os constrangimentos endémicos da economia portuguesa e a austeridade crónica que o país atravessa, não são, por si só, factores que desestabilizam a performance de Sines: “o mercado internacional, não obstante algumas oscilações, não vai mal (…) como nós funcionamos muito no mercado internacional – nós vivemos na competição com os mercados internacionais – a economia portuguesa para nós tem pouco significado”.

Durante a entrevista concedida à emissora Antena, João Franco, presidente da APS, analisou a temática dos potenciais constrangimentos da economia portuguesa sobre o índice competitivo do Porto de Sines, assim como a influencia da instabilidade política no mesmo, abordou a tipologia da nossa economia de escala e elencou as prioridades futuras para o desenvolvimento do Porto de Sines.

Quanto à afectação do Porto de Sines por parte do clima de incerteza política que se viveu, João Franco foi claro em negar qualquer influência directa da vida político-económica na performance de Sines, explicando que, em Sines, “o peso maior de todos é o terminal de granéis líquidos que basicamente importa crude e exporta gasolina e gasóleos (…) e isto é para o mercado internacional (…) nos contentores é o mesmo, é um negócio internacional”, afirmou separando águas e caracterizando Sines como um ‘player’ mais ligado às contingências internacionais.

Versando sobre as particularidades da economia portuguesa, João Franco abordou a tipologia da economia lusa: “Há um problema de fundo na economia portuguesa, que é uma questão de escala. É difícil conseguir concorrência quando não há escala para isso (…) o país não tem uma economia com escala suficiente para ter vários operadores competindo entre si em todas as áreas”.

Passou, depois, a analisar as prioridades previstas para o contínuo desenvolvimento do Porto de Sines: “”Quais são as prioridades em Sines? Duas apenas, por esta ordem no tempo: a necessidade de encontrarmos um investidor logístico que faça um investimento em Sines que leve a fixar negócios de modo a que a percentagem de movimentação contentores que vai para o hinterland aumente, dos actuais 20% para mais que isso (…) para criar emprego, para dinamizar a economia. Para isso é indispensável um operador logístico”.

“Quanto ao segundo objectivo para Sines é o crescimento do terminal de contentores, que pode ser feito de duas formas: ou pelo crescimento físico do actual terminal, ou eventualmente pelo lançamento de um novo concurso para um segundo terminal (…) seria um grande investimento por parte do concessionário”, sublinhou, reforçando: “”Este é um negócio em que, ou se cresce, ou se morre. Terminais pequenos não têm futuro. Teremos a capacidade instalada esgotada dentro de três anos, face às taxas de crescimento”.

O presidente da APS abordou ainda o investimento da PSA: “É um investimento que consiste no aproveitamento da face noroeste do cais do terminal de contentores (…) e que permite operar nesse cais com 120 metros, os navios mais pequenos, e libertar o cais principal, com 946 metros, para os navios principais.”

Notícias de Sines com Antena 1

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