Enigma Arqueológico de Sines chega ao National Geographic

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A edição de Março da revista National Geographic Portugal dedica um artigo de fundo a uma investigação arqueológica que pode mudar o entendimento da posição que Sines ocupou no comércio de escravos entre África, Américas e Europa.

Em 2013, uma intervenção do Programa de Regeneração Urbana de Sines obrigou a fazer escavações no Largo Poeta Bocage. Nessas escavações foi encontrado um antigo cemitério, ligado à Igreja Matriz. Uma das ossadas descobertas chamou de imediato a atenção da equipa de arqueólogos: os dentes incisivos superiores tinham sido limados e junto ao corpo estava um conjunto de 25 moedas de prata, três delas cunhadas na América Central.

No artigo agora publicado, o jornalista Gonçalo Pereira, da National Geographic, vai ao encontro da arqueóloga Paula Pereira e da bioantropóloga Sónia Ferro, que têm coordenado as investigações desta figura misteriosa com origens muito prováveis na África subsaariana. As moedas ajudaram a estabelecer limites para a data da sua morte, algures entre 1590 e 1605, em pleno período filipino.

Sepultado com preceitos cristãos e com um pequeno tesouro na sua sepultura, tudo indica que este homem tinha posses e estatuto pouco compatíveis com os de um escravo. Talvez fosse comerciante de escravos ou facilitador desse comércio. Não se sabe. Certo é que em Sines havia uma população africana significativa, como parece atestar a existência de uma imagem de S. Benedito, o Mouro, venerado pelos escravos africanos, na Igreja de Nossa Senhora das Salas.

À National Geographic Portugal, as investigadoras introduzem um segunda figura que pode ajudar a perceber a primeira. Ao contrário do “Africano”, esta segunda figura tem nome: António Perez, um navegador siniense que morreu em Vera Cruz, México, em 1587, possivelmente envolvido no comércio de escravos entre África, América Central e Portugal.

Haveria outros navegadores de Sines envolvidos neste comércio de escravos transatlântico? Seria Sines um porto relevante neste comércio?

A investigação continua a decorrer e estão a ser desenvolvidos esforços para obter financiamento para estudar esta descoberta em maior profundidade. A análise de ADN poderá esclarecer em definitivo de onde veio e por onde passou o “Africano” e poderão vir a ser feitas análises genéticas a outros indivíduos descobertos em Sines.

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