Antestreia de “Al Berto” no Castelo de Sines

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O Castelo de Sines recebe, dia 9 de setembro, às 21h30, a antestreia do filme “Al Berto”, de Vicente Alves do Ó.

Repleto da energia dos anos 70 e inspirado em factos reais, “Al Berto” surge no ano do 20.º aniversário da morte do poeta.

O filme está situado temporalmente no verão de 1975, que marcou o regresso de Al Berto, interpretado pelo ator Ricardo Teixeira, a Portugal, e também o momento em que trocou a pintura pela escrita.

Em Sines, o ambiente de tensão política, social e cultural que se seguiu à Revolução dos Cravos era ainda palpável. Foi neste período que Al Berto criou a sua própria editora e livraria, à qual deu o nome de “Tanto Mar”. Foi, também, a altura em que viveu uma intensa história de amor.

Al Berto (1948-1997) imortalizou a imagem do poeta rockstar que bebeu inspiração na música, na Beat Generation e nas suas viagens.

Passados vinte anos da sua morte, Al Berto continua a ser um poeta contemporâneo. Há quem o veja como um poeta quase marginalizado, enquanto outros não hesitam em descrevê-lo como um dos maiores vultos da poesia portuguesa do século XX.

A rebeldia que lhe era característica ainda está presente nos dias de hoje. Apesar da obra de Al Berto não constar no Plano Nacional de Leitura, alguns professores ousam apresentá-la aos alunos.

“Al Berto” foi produzido pela Ukbar Filmes com o apoio do ICA, da RTP e da Câmara Municipal de Sines.

A entrada para a sessão da antestreia no Castelo é gratuita.

O filme tem a duração de 107 minutos e aguarda classificação etária.

 

Vicente Alves do Ó: “Al Berto já fazia parte da minha mitologia pessoal”

“Al Berto” parte de uma relação próxima do realizador com os seus protagonistas.

Na nota que integra a promoção do filme, Vicente Alves do Ó escreve:

“A minha relação com a poesia e com os poetas nasce com Al Berto. Sou filho de Sines, terra do poeta de O MEDO e cresci muito próximo dele. Foi o Al Berto que viu as minhas primeiras coisas em teatro, que ouviu os meus primeiros textos e que me incentivou a escrever. Foi com ele que trabalhei no Centro Cultural Emmerico Nunes e foi com ele que sai, bebi copos, falei sobre cinema, literatura, amores, viagens, sonhos e passado.”

Al Berto já fazia parte da minha mitologia pessoal e familiar. Desde muito miúdo que sabia do ‘caso’ O Al Berto tinha vivido uma grande história de amor com o meu irmão João Maria. Ambos desenhavam, escreviam, completavam-se, amavam-se e viviam juntos com um grupo de amigos numa das casas da família Pidwell que o povo apelidava de ‘O Palácio’. Além do meu próprio conhecimento da história, conto ainda com o espólio ainda inédito do meu irmão João Maria que, quando morreu há sete anos, me deixou todo o material: poemas, textos, contos, um diário de quase vinte anos, materiais inéditos do Al Berto, um registo fotográfico imenso, correspondência – coisas que ele manteve fechadas e às quais ninguém teve acesso até hoje, nem mesmo a família ou os biógrafos que se dedicaram a estudar o poeta.

Além disso tive acesso a um número considerável de testemunhos vivos deste período extraordinário, que ajudaram em muito a dar carne e sangue ao projecto, às personagens e ao tempo, gente que ficará sempre ligada ao filme e que pretendo usar como consultores de tudo – desde a construção dos cenários ao trabalho com os actores. Por último, contei com a sua obra, especialmente O MEDO como reflexo da sua personalidade, pois reúne a sua poesia a partir de 1974.”

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