Nova ligação ferroviária a Sines: CDS questiona Governo

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Ao longo da última década, Portugal tem vindo a fazer uma forte aposta na dinâmica económica, nomeadamente no que respeita às exportações. Assim, e considerando a estratégia lançada há alguns anos para aumentar a competitividade das empresas, tornava-se necessário fazer uma aposta estratégica em investimentos que pudessem ser considerados de elevado valor acrescentado.

Após uma análise efetuada por um grupo de trabalho especializado, o Governo de então levou a cabo uma avaliação nacional que originou um consenso expresso no documento designado por Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas 3+ (PETI3+).

Nesse mesmo documento, o chamado “corredor Sines/Setúbal/Lisboa-Caia” era considerado fundamental para o futuro do país, dado que a intervenção visava “… reforçar a ligação ferroviária ao Porto de Sines, tendo em vista o aumento da sua atividade como porta de entrada na Europa, em especial na Península Ibérica, alargando o seu hinterland e articulando com outras ligações aos portos de Lisboa e Setúbal”.

Este foi, assim, um investimento apontado como de elevado valor acrescentado dado que, dizia-se: “A realização deste projeto apresenta um potencial elevado no que concerne ao transporte de mercadorias e um potencial moderado no que diz respeito ao transporte de passageiros…”.

Sobre esta última vertente do investimento considerava-se que a mesma potenciaria ainda “… a melhoria de ligações consideradas insuficientes a aeroportos e portos, núcleos urbanos densos, interfaces e equipamentos públicos, serviços e indústria localizados ao longo deste eixo ferroviário”.

Mais recentemente, e após o atual Governo dar forma ao chamado Plano “Ferrovia 2020”, sobre a intervenção diz-se: “O projeto visa assegurar a ligação ferroviária entre o sul de Portugal e a Europa, de modo a viabilizar um transporte ferroviário de mercadorias eficiente, permitindo a articulação entre os Portos do Sul e a fronteira do Caia. As intervenções visam assegurar a interoperabilidade ferroviária do Corredor”.

Estas referências objetivas à finalidade do investimento deixaram muitas entidades locais preocupadas com o facto de não existir qualquer referência à possibilidade de o futuro eixo ferroviário poder ser utilizado na vertente de passageiros.

Ainda assim, e mais recentemente, o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas deu uma entrevista ao jornal Público, onde refere que “…a linha não fica barrada a que lá passem comboios de passageiros. É feita sobretudo com uma orientação estratégica para o reforço do transporte de mercadorias, mas não fica, digamos assim, ocupada o dia inteiro. É natural que passem também comboios de passageiros nessa linha”.

Dadas as muitas informações que já foram veiculadas sobre o futuro corredor ferroviário importa deixar bem claro, para esclarecimento de todas as entidades locais, se existirá ou não a possibilidade de transporte de passageiros naquela ferrovia.

Fonte – CDS/PP

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