Sines negoceia fábrica de painéis solares da China e gás do EUA

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Quando há três anos foi contactado por uma cooperativa de apicultores de Santiago do Cacém para serem colocadas colmeias na zona verde do parque industrial de Sines, a reacção de Francisco Mendes Palma, o presidente executivo da Aicep Global Parques, foi de espanto. “Mas isto é uma área industrial!”, respondeu. Porém, os apicultores acharam que a “zona era mesmo boa”, conta. “Decidimos dizer que sim e fizemos um negócio à Idade Média: pagam a renda com 50 quilos de mel por ano. Até agora estamos todos satisfeitos”, diz sorrindo. A história ilustra a vontade da Aicep Global Parques de mostrar que a ZILS — Zona Industrial e Logística de Sines não serve apenas para grandes complexos industriais. Há espaço também para pequenas e médias empresas.

Há projectos ambiciosos em cima da mesa e dois envolvem duas grandes potências mundiais: os Estados Unidos da América (EUA) e a China, explica Francisco Mendes Palma. A Aicep Global Parques, que gere, além de Sines, parques em Setúbal e Sintra, está há um ano e meio a negociar com os EUA a instalação de um complexo de tancagem de gás natural em Sines. E está também desde 2016 em contacto com um investidor chinês para a criação de uma fábrica de montagem de painéis fotovoltaicos, cujo objectivo seria exportar mais facilmente para a Europa. “Os chineses estão cada vez mais competitivos em preço e qualidade na produção de células fotovoltaicas. A ideia seria fazer em Sines a assemblagem de material vindo da China”, sublinha. Apesar das conversações, não há ainda nenhum compromisso assumido.

O projecto americano está mais avançado. “Tem havido interesse do outro lado do oceano em instalar em Sines operações logísticas de tancagem de gás natural. Os EUA passaram a ter tanto gás que hoje são exportadores e estão à procura de localizações para o armazenar. Já tivemos cá visitas de dois embaixadores norte-americanos em Portugal, o actual e o anterior, e de representantes das empresas potencialmente interessadas”, adianta. Os interessados são empresas privadas produtoras e/ou comercializadoras de gás. “Já estudaram localizações potenciais dentro de Sines e o reforço dos pipelines para fazer a ligação”, diz Mendes Palma. Em junho uma equipa da Aicep Global Parques viajará para a Washington para a World Gas Conference, para contactar potenciais investidores.

“Mostrámos que aqui há condições logísticas para a tancagem de bens energéticos, que poderão ser depois distribuídos por outros mercados onde as infraestruturas não são tão competitivas”, explica. Qual é competitividade de Sines? “O porto é de águas profundas, o que permite a entrada de grandes navios. Já existe um terminal de gás natural, por isso é só ligar à torneira. Temos uma rede de pipelines com 17 quilómetros que facilmente poderá crescer e há muitos hectares de terreno disponível”, esclarece. O objectivo dos americanos, admite Francisco Palma, é armazenar em Sines para exportar para a Europa ocidental, e eventualmente também para países da costa ocidental africana. Numa fase bem menos avançada, está também a ser analisada a possibilidade de investidores do Canadá fazerem tancagem de gás em Sines.

Um dos segmentos de investimento explorado foi a instalação de parques fotovoltaicos. Há vários tipos de investidores interessados: nacionais, fundos de investimento internacionais e empresas chinesas. “Estamos a falar de cerca de 400 hectares”, avançou. Não quis, porém, avançar com montantes de investimento.

Metalsines recuperada.

Outro vector encontrado por Francisco Palma, cujo primeiro mandato terminou em 2017, foi o dos portugueses ligados a câmaras de comércio na Europa. “Alguns estão à procura de fazer investimentos em Portugal. Há um enorme potencial, e Sines tem sido visto como alternativa”, reconhece.

“São pessoas viradas para os negócios industriais”, adianta. As áreas de interesse são diversas. Francisco Mendes Palma admite que uma das hipóteses em estudo é a recuperação da Metalsines. “A Metalsines fazia vagões para comboios. Há um projecto para reconvertê-la para a construção e manutenção de contentores”.

Nem tudo são projectos em negociação. Um dos mais recentes e que está em fase de arranque é o da Ellalink, o call center do cabo submarino de telecomunicações que irá ligar a Europa à América Latina, via Brasil, sem passar pelos EUA. “Ainda não está em funcionamento mas já estão a pagar renda.” Outro dos investimentos recentes é o parque logístico e de transporte Repnunmar e uma empresa de pneus.

Mas nem tudo são vitórias. O parque tem tido queixas face à qualidade da rede eléctrica. A empresa Gypfor já se queixou de falhas no fornecimento de energia que provocavam danos no processo produtivo. Francisco Palma reconhece razão no protesto, mas assegura que há melhorias significativas, já que a EDP tem estado a investir nas linhas e na subestação que existe no parque, e o regulador do sector eléctrico está atento. “Em 2015 houve falhas em 13% dos dias do ano, em 2018 caíram para 3%”, adiantou.

A Global Parques tem apenas 55% do espaço ocupado. Francisco Mendes Palma admite que não há maior ocupação porque as empresas gostam mais de estar perto das áreas urbanas e também porque se criou o mito, errado, de que Sines era só para grandes projetos. “Temos projectos-chave na mão, o que facilita muito o investimento”, diz. Isso significa oferecer lotes de terreno, licenciados e infraestruturados com gás, água, eletricidade e saneamento. Além disso, garante, Sines tem também recursos humanos qualificados, muitos formados na escola tecnológica do litoral alentejano. Uma mão cheia de trunfos, defende.

Noticias de Sines com Expresso – Anabela Campos e Miguel Prado

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