EDP, Galp e REN são as empresas portuguesas já a bordo do mega projeto de hidrogénio em Sines.

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Segundo avança o Jornal online ECO, a ambição do promotor da iniciativa Flamingo Verde (Green Flamingo), Marc Rechter, CEO do Resilient Group, é grande: criar uma indústria para a produção de hidrogénio verde em Portugal capaz de destronar a fábrica da Volkswagen em Palmela como a maior exportadora nacional. O holandês, a viver em Portugal há 20 anos, não hesita em afirmar que “para Portugal é uma oportunidade maior do que a Autoeuropa […] em termos de exportações”.

Rechter quer o mesmo para o consórcio industrial de larga escala para a produção de hidrogénio verde que vai nascer em Sines na próxima década e já conta com os governos de Portugal e dos Países Baixos, além de gigantes empresariais dos dois países, a bordo do projeto que vai custar 3,5 mil milhões de euros.

O dinheiro para concretizar a visão do holandês, traçada há mais de 10 anos, em 2009, virá dos cofres públicos, das empresas, da banca internacional e da União Europeia. Para a semana realiza-se em Bruxelas uma reunião entre os governos dos dois países para debater os próximos passos da iniciativa Flamingo Verde. No próximo mês, Portugal e Países Baixos vão assinar um memorando de entendimento e, no terreno, as obras de construção arrancam no segundo semestre de 2021.

Segue-se o nascimento de duas novas fábricas — uma de painéis solares e outra de equipamento de eletrólise, para consumo interno e exportação — até 2023, ano em que encerrará a central a carvão da EDP em Sines. Em 2025 estará operacional a central solar com 1GW e entrará em funcionamento a nova central de hidrogénio em Portugal. Até 2030 a produção vai ainda duplicar, com capacidade anual para 465 mil toneladas de hidrogénio.

Do lado das empresas, há muitas holandesas e pelo menos três portuguesas. A EDP está interessada, já garantiu António Mexia, e o ministro do Ambiente e Ação Climática, Matos Fernandes, avançou que a iniciativa “inclui um grande consumidor, a refinaria [da Galp], um grande produtor, a EDP, e um porto [de Sines] muito vocacionado para o transporte e exportação destes produtos”. Também a REN está envolvida, enquanto operadora da rede de transporte e distribuição de gás, explicou agora Rechter.

De acordo com a apresentação do projeto Flamingo Verde, feita em Bruxelas pelo promotor holandês, a lista das empresas envolvidas conta com a gigante dinamarquesa Vestas, uma das maiores produtoras mundiais de turbinas de energia eólica, as holandesas Vopak e Anthony Veder, além do banco ABNAMRO, a espanhola H2B2 e as portuguesas EDP e Galp. Contactada, a petrolífera portuguesa não se pronunciou sobre o eventual interesse no hidrogénio de Sines.

Questionado sobre se a iniciativa Flamingo Verde poderá incorporar mais empresas e também mais países europeus, além de Portugal e dos Países Baixos, Marc Rechter garantiu ao Capital Verde que neste momento o projeto já tem “uma situação favorável e forte”. “Temos de dar os próximos passos e a avançar com velocidade. Será sempre necessário criar um mercado europeu para o hidrogénio e nos próximos dez anos não faltarão oportunidades para empresas e governos”.

E se o secretário de Estado da Energia, João Galamba, se refere ao hidrogénio verde em Sines como “o maior projeto industrial em Portugal desde o 25 de abril”, do lado holandês Noé vanHulst, enviado especial do ministério dos Assuntos Económicos e Políticas Ambientais, garante que o hidrogénio importado do sul da Europa irá representar um papel muito importante no futuro energético dos Países Baixos, onde 90% das casas estão ligadas à rede de abastecimento de gás. Recentemente teve lugar no país o primeiro Dia do Hidrogénio, com o governo holandês a planear para março a apresentação de um plano nacional para o desenvolvimento desta energia, sabe o Capital Verde, do ECO.

Depois de, no final do ano passado, ter dito que o projeto para a criação de um consórcio industrial de larga escala para produzir hidrogénio verde em Portugal estava numa fase embrionária e que era “ainda muito cedo” para falar em detalhes acerca do projeto, o enviado especial do Governo dos Países Baixos para o hidrogénio, Noé van Hulst, mudou agora de discurso. Ao Capital Verde, o responsável holandês do Ministério da Economia e Política Climática garantiu: “Estamos a trabalhar arduamente no projeto. A Holanda está seriamente interessada em explorar várias opções para importar hidrogénio verde e explorar possíveis rotas comerciais e opções de importação de vários países, que incluem Portugal.

“Um grupo de empresas baseadas em Portugal e na Holanda estão a trabalhar em conjunto para criar uma cadeia de valor e uma rota comercial há algum tempo e nós acolhemos esta iniciativa”, referiu Noé van Hulst, sublinhando: “A Holanda considera o hidrogénio verde como um complemento necessário à eletrificação e eficiência energética, com vista a atingir a neutralidade carbónica em 2050. O hidrogénio é uma das poucas formas possíveis de descarbonizar os setores da indústria e transportes pesados de mercadorias, para os quais outras opções são mais caras e obrigam a um armazenamento sazonal de energia. Se formos bem-sucedidos em aumentar a procura de hidrogénio verde na Holanda, os nossos cálculos mostram que vamos precisar de enormes quantidades de hidrogénio. Quantidades que suplantam a nossa própria capacidade interna de produção de hidrogénio nos próximos 10 anos”.

E se os países com intensa atividade industrial, como a Alemanha, a França e a Holanda, serão os principais “clientes” do hidrogénio verde, Portugal e Espanha serão os fornecedores com os preços mais baixos para a produção de hidrogénio: dois a três dólares por kg de hidrogénio.

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