“O mar para Portugal sempre foi uma fonte de subsistência” – Miguel Segundo

Screenshot_20200421-112321_Chrome“Portugal nasceu com o mar”, lê-se no site da Oceanic, empresa portuguesa que há nove anos se dedica à comercialização de peixe fresco e que foi distinguida este ano pelo IAPMEI pela qualidade do seu desempenho e perfil de risco, como PME Líder. Esta é a entrevista da PME Magazine ao CEO e fundador da empresa, Miguel Segundo. Existirá o risco para colmatar necessidades ou também por atrevimento? O Pingo Doce foi o seu primeiro grande cliente e, desde início, que a Oceanic se diz reger pela honestidade como pilar fundamental em qualquer tipo de relação, tanto com colaborares como com clientes.

A Oceanic surgiu da visão do mar como uma fonte de subsistência ou por uma paixão?
Miguel Segundo – 
Trabalhava no negócio do peixe e queria que fosse o negócio da minha vida. A Oceanic surge daí, quando saio da empresa anterior e juntamente com um amigo, que hoje é meu sócio, criámos a nossa empresa na área dos perecíveis, também porque vejo o mar para Portugal como uma fonte de subsistência desde sempre.

Quais foram os maiores desafios para uma empresa nova no mercado?
M. S.–
2011 foi um ano difícil, no meio da crise económica mundial, o baixo consumo é uma mudança na forma de comprar do consumidor final. A baixa liquidez foi um problema, mas com muito trabalho foi ultrapassável. É necessária informação para saber a conjuntura económica do país e do mundo, conseguir detectar os desafios que poderão surgir e encontrar soluções para que a empresa nova ou não nova vingue no mercado. Mas 2011 foi um ano dificultado pela crise económica mundial.

Como é que se chega a líder de mercado? Qual é caminho?
M. S.–
 Chega-se a líder a dormir pouco [risos]. Neste momento, não posso dizer que somos líderes porque todas as empresas têm altos e baixos e o nosso ano de 2019 foi dos baixos. Mas sem dúvida alguma que o caminho é o trabalho, é solucionar os problemas dos clientes. Esse foco permite acrescentar muitos pontos à relação com o cliente, que se traduzem numa proximidade relevante entre a marca e o consumidor. A confiança é muito importante e temos de trabalhar no sentido de a criar, e o caminho é solucionar os problemas dos clientes até ao consumidor final.

Quantos trabalhadores têm entre Ermidas-Sado, Sines, Matosinhos, Portimão e Marrocos. Como é que se divide e unifica assim uma empresa? Com que pilares?
M. S.–
 Somos mais que 50 neste momento. A divisão é estratégica para ter acesso à melhor proteína do mar, já a união é o resultado da coordenação de todos os departamentos da empresa. Os pilares, ou, o pilar, são/é, sem dúvida, as relações pessoais, tanto com os colaboradores como com os clientes.

Quanto é que facturam actualmente? Quais as previsões para este ano?
M. S.–
Facturamos cerca de 30 milhões. Este ano ninguém sabe de nada, muito por causa da questão do novo Coronavírus. É um tempo incerto que trará mazelas financeiras para toda a gente e como é uma questão global nova e inesperada, sem data prevista para fim, não posso dizer um valor possível de faturação. Sei que não vamos parar a produção, mas vamos trabalhar em lay-off. E quando isto passar vamos correr atrás do perdido.

O Pingo Doce ainda é o vosso maior cliente?
M. S. – Podemos considerá-lo assim, a nível nacional é o nosso maior cliente. É um cliente importante e estratégico. Ainda assim, temos outros grandes clientes fixos e importantes de vários países, principalmente Espanha, França e Itália.

Actualmente, a Oceanic vende para vários países da Europa, América e África. De que é que são feitas estas oportunidades e qual a estratégia de internacionalização?
M. S. – 
As oportunidades são feitas de informação, de descobrir as necessidades de cada mercado e arranjar os produtos. O facto de o meu sócio [Paulo Estêvão] ser espanhol potenciou a internacionalização para Espanha e o mesmo aconteceu para outros mercados, como Marrocos, Itália ou França, onde a oportunidade nasceu fruto de contactos e das necessidades conhecidas nesses mercados. O mercado do peixe é muito volátil e ganha-se dinheiro daquilo de que há procura, sendo por isso fundamental estar informado acerca das necessidades do consumidor de forma a colmatá-las. Só assim se criam oportunidades. Como referi, um empresário tem de estar sempre informado para criar oportunidades e saber o que cada cliente quer para ser diferente. Se nós nos conseguirmos diferenciar, o nosso cliente também se diferencia no mercado dele. Cria-se uma oportunidade win-win de negócio que é facilmente mantida durante anos.

O investimento numa empresa a grosso de peixe fresco é facilmente recuperável?
M. S. –
É igual a outras empresas no sector dos perecíveis. Mas como as exigências são muito grandes temos de pensar num retorno a dez anos.

Nos primeiros quatro meses de 2011 facturaram sete milhões de euros. Qual é o mote de trabalho para atingir este valor nos primeiros meses de uma empresa?
M. S. – 
O que comentei antes, solucionar os problemas dos clientes e muito trabalho. Claro que no início da empresa o facto de termos encontrado o parceiro certo de trabalho que foi, na altura, o Pingo Doce, foi uma mais-valia e o mote para continuarmos a trabalhar da forma que nos caracteriza e com o foco em crescer, facturar e seguir as vontades e necessidades dos clientes. Trabalho e clientes são o foco.

Os investimentos fazem sentido para colmatar necessidades ou para arriscar?
M. S. –
O risco existe, mas é calculado. Podemos dizer que temos uma expectativa, no entanto, o mercado é muito volátil e pode mudar a qualquer momento. Faz sentido investir, faz parte do negócio tanto para colmatar necessidades quanto para arriscar, dentro das medidas certas. O sector dos perecíveis exige uma capacidade lógica constante. Investir dentro das medidas certas para não corrermos riscos maiores, muito porque temos clientes para fornecer e pessoas a empregar.

A qualidade supera a questão económica no que respeita à vossa política de investimentos?
M. S. –
 Sem dúvida. As premissas da empresa são por esta ordem: qualidade de serviço e, por último, preço. Acredito que a qualidade está sempre acima do valor. O valor de um produto é caro ou barato, dependendo da qualidade do mesmo. Quando criamos confiança no nosso produto através da qualidade podemos mudar a questão económica.

Quais são as maiores dificuldades em investir dentro e fora do país?
M. S.–
 O dinheiro e a burocracia pelo tempo que às vezes demora e que pode não ser benéfica para os investimentos, mas tem de existir sempre. O dinheiro no mercado do peixe tem sempre de ser avaliado antes de ser investido. Não esperávamos este surto do Coronavírus e são estas ressalvas que têm de estar sempre em cima da mesa na hora de investir.

2020 é quase o início de uma nova década para a Oceanic. Haverá algum projecto a assinalar os dez anos da marca?
M. S. –
 Fizemos no final de março nove anos. Neste momento, posso dizer que o projeto que assinalará os dez anos da marca Oceanic passa pela obra de expansão da nossa fábrica de Sines, este ano, que surge de uma vontade de ter mais capacidade de trabalho em determinadas áreas.

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