Covid-19 é séria ameaça para nadadores-salvadores.

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Em declarações à TSF, António Mestre, presidente da Resgate, Associação da Nadadores-Salvadores do Litoral Alentejano, afirma que um salvamento com necessidade de reanimação, através da respiração boca a boca, está na linha da frente das preocupações.

Dá o exemplo do que já aconteceu nas praias americanas de San Diego e Califórnia, onde surgiram nadadores-salvadores infectados com covid-19, acelerando o encerramento dos areais.

“O perigo que um nadador corre numa reanimação é enorme”, diz . Justifica que ao fazer o socorro vai pôr as mãos sobre o peito da vítima, sem que esta tenha a cara protegida. “O ar que sai pela boca da vítima, os chamados aerossóis vão ficar suspensos no ar. Se aquela vítima estiver infectada com covid-19, o reanimador acabou de ser infectado”, sublinha.

Esta e outras preocupações do sector já foram transmitidas ao Gabinete do primeiro-ministro, tendo a resposta chegado ontem, via correio eletrónico, garantindo que o assunto foi encaminhado para o Ministério do Ambiente.

Até porque o risco permanece em pequenos incidentes, como é o caso da simples retirada de alguma vítima do mar ou da piscina, em pleno uso das faculdades, mas que tenha engolido água. “O nadador até traz a pessoa, mas porque bebeu um bocado de água vai tossir.

E nós já sabemos que quando uma pessoa tosse a distância que projeta”, acrescenta o dirigente. O reforço da segurança passará pelo recurso a um equipamento específico, que teria de adquiridos pelos próprios concessionários, dotando os nadadores-salvadores de um insuflador manual que permita fazer ventilação, luvas, óculos, máscaras, fatos.

Mas nem assim há risco zero, insiste António Mestre. “Mesmo um equipamento auxiliar de respiração terá que ser sempre um insuflador manual, que, até isso, requer uma certa prática. Mas temos que treinar as pessoas, caso contrário corre o risco de ser contaminado”, diz.

A agravar o cenário com a época balnear à porta, está a significativa redução de nadadores-salvadores em Portugal. Entre dois 2017 e 2019 foram mais de 1800 por ano em todo o país, mas em 2020 apenas 136 tiraram o curso devido à pandemia que obrigou a fechar piscinas.

O dirigente recorre aos estudos realizados pela Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores que mostram como a tendência indica que dos anos anteriores apenas regressaram às praias 50% dos jovens com formação. “O ISN diz que tem 5801 nadadores salvadores formados desde 2017 até hoje. Mas a grande maioria já não volta às praias no ano seguinte. No máximo virão 50% dos que se formaram em 2019. Por isso é que precisamos todos os anos de cerca de 2 mil formandos”, diz ainda António Mestre.

Para agravar o rol de dificuldades, a Resgate relembra que este ano as aulas só terminam em julho e há muitos jovens, entre os 18 e 19 anos, que só terão disponibilidade para trabalharem nas praias em agosto, já com a época balnear a meio.

Foto: © Vasco Neves/Global Imagens (arquivo)

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