Filhos que abandonem os pais devem ser deserdados, defende APAV.

A definição de uma política de família, que preveja alterações no Código do Trabalho para permitir assistência a familiares idosos e heranças negadas a descendentes que maltratem idosos, é uma das recomendações do relatório “Portugal Mais Velho”, apresentado na passada quinta-feira. Da autoria da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian, o relatório procura identificar “lacunas das políticas públicas e da legislação em relação ao envelhecimento da população e à violência contra pessoas idosas, apresentar boas práticas e ainda listar recomendações para melhorar esta situação”. O documento apresentado tem 30 propostas que visam uma melhor integração, participação e valorização das pessoas idosas na sociedade, sublinhando a importância do envelhecimento ativo e do combate a formas de violência e discriminação, uma realidade com “elevados custos sociais”. A Política de Família preconizada pela APAV prevê que o Código do Trabalho inclua para a assistência a familiares idosos as medidas já existentes para assistência aos filhos, como flexibilizações de horários ou licenças. A APAV defende ainda que se deve rever o Direito Sucessório, “de modo a permitir uma maior liberdade na disposição de bens (garantindo que numa situação em que os descendentes de uma pessoa idosa que não a apoiem ou até maltratem, possam ser deserdados)”, assim como uma alteração do regime de benefícios fiscais, “para promover a manutenção da pessoa idosa em sua casa (ou, pelo menos, no seu meio normal de vida)”. No documento síntese das recomendações, no qual se recorda que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida defendeu como necessária uma “reflexão ética e humanista, que identifique os desafios e indique os princípios éticos orientadores da atuação do Estado, das comunidades intermédias locais, das famílias e dos prestadores de cuidados” relativamente aos idosos, recomenda-se que o Estado adopte uma “perspetiva de direitos humanos transversal” às várias áreas de atuação, assim como a promoção de uma visão positiva das pessoas idosas, dando-lhes visibilidade social e capacitando-as para o exercício dos seus direitos. A APAV propõe que seja feito um estudo do impacto da população idosa nas contas do Estado, medindo a denominada “economia da terceira idade”, permitindo perceber o valor do seu trabalho voluntário e do apoio familiar que prestam, por exemplo, enquanto contributo activo para a economia. No âmbito do envelhecimento activo e saudável, a APAV pede a entrada em vigor da Estratégia Nacional para o Envelhecimento Activo e Saudável, que estevem em discussão pública em 2017, mas nunca chegou a ser publicada e implementada. Propõe ainda a “criação de um grupo de trabalho interdisciplinar e interministerial e com participação da sociedade civil na dependência do Gabinete da Ministra de Estado e da Presidência”, para “monitorizar e avaliar as políticas públicas na área do envelhecimento”. A promoção da educação para os direitos humanos, de programas intergeracionais e da aprendizagem ao longo da vida são outras propostas para uma melhor integração e participação social dos idosos.

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