Hidrogénio à espera do apoio de Bruxelas.

Segundo avança o Jornal Sol, o Governo admitiu esta semana ter identificado uma «falha de mercado» que pode colocar em causa a viabilidade financeira do projecto para a produção de hidrogénio verde em Portugal – e a consequente exportação deste gás natural para os Países Baixos e Alemanha. Feitas as contas, o Governo resolveu dar um passo atrás e agora já assume que a factura para a exportação de hidrogénio verde (a partir de Sines) só terá saldo positivo caso surjam apoios transfronteiriços provenientes de Bruxelas. Na prática, as novas conclusões indicam que se o Estado português decidisse subsidiar somente com recurso a dinheiros públicos a produção de hidrogénio verde para consumo interno e exportação, o país ficaria a perder… e os países importadores a ganhar.

A própria Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) admite que só em 2035 esta tecnologia se tornará competitiva no mercado, na sequência do aumento do preço do gás natural, devido ao agravamento dos preços do carbono. Recorde-se que, em setembro, Portugal e Países Baixos assinaram um memorando de entendimento tendo em vista uma candidatura ao financiamento através do Projeto Importante de Interesse Europeu Comum (IPCEI na sigla inglesa) hidrogénio. O documento previa «o desenvolvimento de uma cadeia de valor estratégica de exportação-importação, garantindo a produção e o transporte de hidrogénio verde de Portugal para os Países Baixos, através dos portos de Sines e de Roterdão», mas os novos desenvolvimentos permitem concluir que o preço que os holandeses pretendem pagar pelo produto final – que ainda não é público – fica longe de cobrir os custos de produção, colocando o acordo em risco.

Para contornar a questão, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, fez chegar esta semana a Bruxelas uma carta onde defende a criação de um mecanismo transfronteiriço para subsidiar a produção desta energia. O objectivo seria criar uma ‘ferramenta’ que permitisse que a produção de hidrogénio verde no país de origem fosse, em parte, subsidiada pelos países exportadores. No caso do projecto previsto para Sines, Holanda e Alemanha poderiam pagar parte dos custos associados à produção do gás renovável, uma vez que esta central  tem precisamente o objectivo de exportar para esses países.

«Para tirar partido de todo o potencial do mercado europeu e incentivar parcerias transfronteiriças em torno de projectos associados a cadeias de exportação/importação, essenciais para garantir a escala de produção preconizada por Portugal e pela Comissão Europeia, urge encontrar mecanismos de apoio de natureza distinta, que sejam, na sua essência, transfronteiriços. Nos casos em que o offtaker [o comprador] não é nacional, ou não é exclusivamente nacional, o modelo CFD [regime de remuneração da produção] referido anteriormente revela-se insuficiente e/ou inadequado», lê-se na missiva datada de 9 de dezembro, que já chegou às mãos da comissária para a Energia, Kadri Simson, do comissário para o Mercado Interno, Thierry Breton, e também do holandês Franz Timmernmans, vice-presidente da Comissão Europeia.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s