CGTP defende nacionalização da GALP

“Se a administração da Galp não reverter esta decisão [de fechar a refinaria e concentrar tudo em Sines], o Governo tem o poder de voltar a chamar ao Estado esta empresa que tem um enorme interesse para o desenvolvimento económico nacional”, disse a sindicalista aos jornalistas, à margem de uma acção de protesto. A Galp vai concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano. Esta decisão, anunciada a 21 de dezembro de 2020, põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos. Isabel Camarinha lembrou que a Galp já foi pública e foi privatizada, estando agora “à vista” o resultado dessa privatização. “O Governo tem grande responsabilidade em tudo isto porque é o segundo maior acionista e é o Governo de Portugal, logo tem de defender os interesses nacionais”, frisou. Além disso, Isabel Camarinha alertou não serem apenas 1.500 postos de trabalho que estão em causa, mas “muito mais” porque há negócios que dependem da refinaria. A secretária-geral da CGTP aproveitou ainda para criticar a administração da empresa por não ter falado com os trabalhadores, demonstrando uma “total falta de respeito” para com eles. Para Isabel Camarinha, não é o ambiente que está na base desta decisão, mas o “interesse dos lucros dos acionistas”, situação que entende não poder ser aceite pelo Governo. “Não há justificação nenhuma [para o encerramento], a empresa distribuiu 500 milhões de euros em dividendos em maio passado pelos seus acionistas, a situação da empresa é boa”, considerou. A pandemia da covid-19 não vai durar “para sempre”, entendeu a sindicalista, reforçando que “brevemente” Portugal voltará a ter os níveis de consumo do passado. “Vamos ter de ir comprar a Espanha o nosso combustível, não vamos ter condições, Sines não vai garantir tudo o que é necessário”, alertou. A 30 de dezembro, e numa reunião pública do executivo municipal de Matosinhos, o responsável pela refinaria, José Silva, garantiu que a decisão de encerrar “está tomada e fechada”. Esta decisão irá reforçar a posição de Sines como principal ponto de refinação do país. O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

Foto: © Global Imagens

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