Políticas públicas sem tempo nem modo.

Numa conjuntura de crise profunda, o governo vem reforçando como prioridade absoluta a sua extremada política ambiental, esquecendo a vertente social e lançando para o desemprego milhares de trabalhadores já tão causticados pela covid.

Foi essa política, desajustada num país pobre e que nada polui à escala mundial, que levou ao encerramento das Centrais do Pego e de Sines – esta a mais moderna da Península e uma das mais eficientes da Europa. Por contraste, países ricos como Alemanha e França têm em construção uma dezena de unidades de produção termoelétrica e a Alemanha inaugurou mesmo há meses uma central a carvão.

Também o Ministro do Ambiente, dispensando explicações da empresa, foi o primeiro a justificar o encerramento da refinaria de Matosinhos como inserido nos princípios da transição energética.
Não foi por obsolescência que a EDP encerrou a Central de Sines, mas sim devido a uma legislação adversa ao seu funcionamento, aumento da carga fiscal e das licenças de emissão de CO2, em favor da concessão de margens muito superiores nas energias renováveis. E assim desaparece uma unidade bem equipada e de grandes dimensões, que poderia oferecer energia à rede a um preço de cerca de um terço do da concorrência, verdadeiro atentado à competitividade.

Com o fim das unidades de Matosinhos e de Sines, em nome do sagrado princípio da neutralidade carbónica, deixam de ser produzidos muitos outros produtos, nomeadamente derivados da petroquímica de aromáticos e lubrificantes de base, sem alternativa no país, ou matéria-prima para as cimenteiras, indústria do gesso e pavimentação da rede viária, cuja substituição irá também gerar CO2, ou implicará mais importações, previsivelmente até de combustíveis, caso a refinaria de Sines não consiga competir com a da Galiza, por questões de proximidade, no abastecimento das estações de serviço do norte do país, servidas por Matosinhos.

Sem fundamentalismos, prioridade seria conciliar os objetivos ambientais com os económicos, os financeiros e os sociais, salvando, em vez de destruir, unidades industriais viáveis ou até habitacionais, como o Prédio Coutinho em Viana do Castelo.

A defesa do ambiente não se pode dar ao luxo de demolir património útil sob pena de se tornar sabotagem económica. É que já sobram políticas que nos levam à cauda da Europa.

Artigo original do “Dinheiro Vivo” do Economista António Pinho Cardão.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s