Projecto de hidrogénio verde em Sines não terá mega-consórcio

Segundo avança o Dinheiro Vivo, o H2 Sines, que estaria a ser estudado por um grupo de empresas incluindo EDP, Galp, Martifer, REN e Vestas, que estavam a estudar a viabilidade de avançar em conjunto para a implementação de um cluster industrial de produção de hidrogénio verde com base em Sines, não deverá concretizar-se em formato de consórcio. Em causa está um projecto com um investimento estimado de 1,5 mil milhões de euros até 2030.

“Ainda estamos dentro do contexto de avaliação do projecto, mas a probabilidade de vir a cair é grande”, admitiu fonte ligado ao processo. Que recusa estar em causa qualquer tipo de desentendimento entre os parceiros deste mega-consórcio, mas apenas “leituras distintas” das empresas face à visão do governo para o projecto. A vertente exportadora que o Executivo pretendia imprimir ao investimento em Sines, criando uma cadeia de valor para a exportação para o Norte da Europa, parece ser um dos pontos de desacordo.

O que não significa que o hidrogénio verde, enquanto aposta estratégica para a descarbonização dos transportes e da indústria, possa estar em causa. Tudo indica, que cada uma das empresas venha a avançar com os seus próprios investimentos nesta tencologia, ainda embrionária, mas que todos acreditam que tem um grande potencial na próxima década.

A REN, por exemplo, que na sexta-feira apresentou o seu plano estratégico 2021-2024, deu conta que prevê investir 40 milhões de euros, neste prazo, para a compatibilização da rede de gás com a injecção de hidrogénio. “Temos em concreto e para o horizonte desta estratégia um investimento de 40 milhões de euros, dos quais 15 milhões estão associados a projectos na rede de gasodutos e 25 milhões de euros na concessão da REN armazenagem, para o Carriço”, precisou o administrador executivo da REN, em conferência de imprensa, sem fazer qualquer referência ao projeto H2Sines.

O valor a investir pela EDP é da mesma ordem de grandeza. Na apresentação do novo plano estratégico para 2021-2025, Miguel Stilwell de Andrade, CEO da companhia, explicou que a empresa pretende 250 megawatts de eletrolisadores, que levarão a um investimento adicional de 0,5 a 1 gigawatts (GW) em renováveis, tendo já em desenvolvimento, “a nível global”, cerca de duas dezenas de projectos nesta área. Stilwell disse, então, que o hidrogénio verde “vai “explodir”” na segunda metade da década, e defende que a EDP está “bem posicionada” para tirar partido disso.

A Galp ainda não quantificou os seus investimentos nesta área, mas tem agendado para dia 2 de junho o seu Capital Markets Day, sendo de esperar que surjam novidades então. Contactada, fonte da petrolífera sublinhou que “a Galp mantém todo o interesse e empenho no hidrogénio verde”, recusando porém, “neste momento, fazer qualquer comentário em relação ao projecto H2Sines”.

Evoluindo cada um por si, a dimensão global do investimento a realizar ficará provavelmente longe dos 1,5 mil milhões de euros previstos pelo consórcio H2 Sines. Mas a subsidiação ao projecto será, também, menor.

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