Galp: Trabalhadores exigem investimentos para descarbonizar a Refinaria.

A Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal defendeu hoje a necessidade de aprovação imediata dos investimentos destinados à descarbonização” da refinaria de Sines da Galp e convidou o colectivo Climáximo a integrar esta “frente”.

“A CCT pretende endereçar um convite público à Climáximo para, conjuntamente, estabelecermos uma frente que reivindique a descarbonização da refinaria de Sines até 2025, tal como a própria administração gizou no seu plano estratégico”, diz a estrutura representativa dos trabalhadores, em comunicado.

A posição da CCT surge no mesmo dia em que decorreu um protesto junto à refinaria de Sines convocado pelo coletivo Climáximo, para exigir o “encerramento planeado e gradual” da unidade até 2025.

Segundo o grupo de activistas, trata-se de uma “acção não violenta de desobediência civil e de bloqueio” àquela refinaria.

No comunicado enviado hoje à agência Lusa, a CCT da Petrogal convida a Climáximo a “juntar-se” à sua “reivindicação para assegurar a transição energética, os postos de trabalho e o futuro do país”.

Mas alerta que “qualquer reivindicação que ponha à cabeça o encerramento de qualquer instalação industrial sem uma alternativa concreta não serve o objectivo de esclarecimento da opinião pública”.

O que acontece é que “desfavorece qualquer processo de transição energética sustentada, enquanto procedimento com um ponto de partida e de chegada, algo que não existe actualmente”.

“Não se altera um processo que é extremamente injusto e sobretudo desequilibrado” ao clamar “por um encerramento sem alternativa a curto prazo e ao mesmo tempo clamando pela defesa dos postos de trabalho”, afirma.

A CCT defende que, em matéria de combate climático, “há uma urgência de discernimento entre a árvore e a floresta e, sobretudo, na escolha de causas que vão para lá do panfleto simplista”.

Em Portugal, “o que é assumido pelo Governo como ‘transição energética’ é um processo de desindustrialização acelerado do país sem impacto líquido na redução global de emissões de CO2 [dióxido de carbono] para a atmosfera” e que, ao mesmo tempo, tem “um impacto brutal na destruição de emprego”, argumenta a CCT.

No comunicado, a CCT expressa ainda “confiança” de que os trabalhadores “saberão lidar pacificamente com acções fora de contexto e incompreensíveis à luz da razão”.

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