Lapidar Sines, qual kimberlite.

Alternativas energéticas, precisam-se! A Europa, e sobretudo países como a Alemanha, não pode continuar dependente do petróleo e do gás proveniente da Rússia. Vladimir Putin mostrou ao mundo – pelos seus atos, ações e palavras – por que razão se não pode confiar no líder russo. A Europa percebeu isso, desta vez à força e com uma guerra dentro do seu território, e tem de procurar alternativas e o mais rapidamente possível.Na busca de solução, a União Europeia deve atuar em conjunto, mostrando à Rússia que a união ainda faz a força. No passado recente, a Europa revelou que, quando quer e há uma causa maior, sabe congregar esforços. Fê-lo na compra das vacinas contra a covid-19 e na forma como determinou que poderia ajudar as famílias, as empresas e os Estados-membros. Sem paternalismos, a velha Europa percebeu que tem de ser mais do que apenas um espaço de livre circulação de pessoas e bens. A UE não é um projeto apenas de mobilidade, sempre foi um projeto político e de paz e todos os europeus se devem orgulhar disso.

Seja através de compras conjuntas de energia por parte da União Europeia, seja pela via da redução da taxa de IVA sobre combustíveis (mesmo que temporária) ou através de medidas de apoio às pessoas e às organizações privadas que fazem mexer a economia, algo terá de ser feito em conjunto para minorar (se é que isso é possível) os efeitos da crise energética, a pior das últimas décadas.

Neste campo energético, Portugal pode dar um contributo na área das energias renováveis para reduzir a dependência do petróleo. A partir daqui podem construir-se interconexões com o continente europeu. Além disso, no imediato, Sines pode assumir um papel geoestratégico determinante em contexto de guerra. Na prática, a sua localização permite que se transforme, de uma vez por todas, numa plataforma de distribuição e abastecimento entre os continentes americano, africano e europeu. No que ao gás natural diz respeito, o terminal de gás natural liquefeito (GNL) localizado em Sines pode ganhar um relevo totalmente diferente daquele que tem tido como canal de fornecimento. Através do gasoduto ou através do porto de águas profundas de que dispõe, com toda a infraestrutura de trasfega, descarga e reservatórios, tem potencial para ser muito mais relevante do que tem sido até aqui. Na verdade, todos os governos têm falado, ao longo dos anos, do seu enorme potencial, mas nunca foi verdadeiramente explorado. Sines ainda é um diamante económico em bruto. Está na altura de o lapidar, qual kimberlite.

Artigo original de Rosália Amorim no Diário de Notícias.

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