Custo das casas em Sines inflaccionadas pelos investimentos

Segundo avança o Expresso, a procura de casas para venda e arrendamento em Sines aumentou nos primeiros três meses deste ano, de acordo com consultores imobiliários locais. Segundo as mesmas fontes,esta tendência está directamente ligada ao facto de as empresas industriais e de construção civil estarem a contratar māo de obra. De acordo com o relatório de mercado sobre o concelho de Sines, elaborado pelo portal Imovirtual, os preços médios pedidos pelos apartamentos à venda apresentaram um crescimento de cerca de 25%, entre novembro de 2021 e março deste ano. Ou seja, o preço médio dos apartamentos aumentou dos 197 mil euros para os 245 mil euros, registados no último mês. Contudo, se forem considerados apenas os valores médios da cidade de Sines, o valor médio pedido pelas habitações à venda é superior. Em março foi de 259 mil euros. Ainda segundo os dados daquele portal imobiliário, o crescimento dos preços varia também em função da procura de determinada tipologia. No caso dos apartamentos, o T1 apresenta um preço médio de venda da ordem dos 194 mil euros; o T2 de 401 mil euros (neste caso influenciado por
um empreendimento de luxo,
em Porto Covo, que constituia
maioria da oferta atual); T3 de
197 mil euros e o T4 é superior
de 300 mil euros. De acordo com o Imovirtual, estes dados resultam “do estudo da evolução do preço dos
imóveis colocados em venda
através dos anúncios colocados no portal e publicados pelas empresas de promoção, mediação e particulares no concelho de Sines, no período em análise”. Atualmente, “a
nível nacional, o portal apresenta mais de seis milhões de visitas mensais e mais de 300 mil imóveis anunciados”.

Oferta de casas “quase inexistente”

O forte aumento na procura de casas, para venda e arrendamento, é confirmada por consultores de empresas de promoçāo e mediação imobiliária que desenvolvem a sua atividade no mercado desta cidade.
“A oferta de casas é quase inexistente e não está a acompanhar o aumento da procura por parte dos quadros que estão a trabalhar nos projetos de investimento em curso, alguns já no terreno e outros que es
tão a iniciar-se”, refere Susana
Grifo, diretora de operações do Alentejo, da Habita, empresa
de mediação, do grupo Himo.
A responsável alerta que “os
operacionais precisam de morar na zona entre seis meses a um ano”, contudo a oferta de casas é escassa, desajustada e os preços de arrendamento que estão a ser pedidos “superam algumas zonas de Lisboa”. A opção, conta Susana Grifo,
é alargar a procura para cidades como Grândola, contudo, tal como no litoral alentejano “sente-se a pressão turística, sendo que a oferta também é pouca e os preços são elevados”.
A situação é confirmada também por um consultor da Miratour Imobiliária, agência de mediação que atua sobretudo no triângulo formado pelas cidades de Sines, Vila Nova de Santo André e Santiago do Cacém. “Há muita procura de casas para comprar e arrendar, mas não há oferta disponível no mercado”, destaca. Distando cerca de 15 quilómetros, as três cidades apresentam, aliás, uma situação de escassez semelhante, já que os clientes interessados acabam por ter que alargar a área de escolha e ocupar o que existe. Para este consultor, este é um problema que se “arrasta nos dois últimos anos”, eque seagrava pelo facto de “não haver construção nova”, não estando previstos “novos projetos”, nem serem conhecidos “novos investimentos”. Também nas zonas rurais a pressão na procura é grande, sendo que a oferta que aparece
é rapidamente escoada, destaca o consultor da Miratour. Teresa Costa, consultora da Sete Reinos-Mediação Imobiliária, reconhece “a especulação
de preços” na habitação em Sines, que, na sua opinião, se deve sobretudo ao facto haver “pouca oferta nova ou usada”, mas também devido “à falta de construção”. Apesar do grande potencial que a região apresenta para construção residencial, os consultores imobiliários contactados destacam que são poucas as empresas e os investidores recetivos a avançar com projetos de habitação. “Enquanto agência temos sido contactados por muitos grupos interessados em investir”, conta Susana Grifo. Contudo, desabafa, “a postura de atratividade acaba por esbarrar num conjunto de fatores, como a falta de empresas [de construção] locais, pouca mão de obra e, recentemente, com o aumento dos preços dos ma-
teriais de construção. “As empresas fazem as suas ‘contas de merceeiro’, como dizemos, e depois não há magia”, destaca. Na opinião de Susana Grifo, a postura das câmaras municipais desta região tem sido de abertura e de incentivo ao investimento na habitação, “mas não é suficiente para atrair os promotores imobiliários”.

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