Gouveia e Melo: Sines tem papel essencial para uma Europa em mudança

O Chefe de Estado-Maior da Armada, o Almirante Gouveia e Melo, (que esteve presente na passada segunda em Sines), considerou que Sines é “essencial” numa Europa “que está em mudança” e para um Portugal que “se quer atlântico”.

“Há duas coisas que determinam o futuro: uma é a geografia e outra é a história. Quem se esquecer disso vai de certeza errar o futuro e Vasco da Gama é exemplo disso. É a nossa história associada a uma geografia, esta geografia é Sines” que “hoje é essencial, mas será muito mais essencial com uma Europa que está em mudança e para um Portugal que se quer atlântico”, afirmou Gouveia e Melo.

“Sines pode ser uma localização fantástica para o desenvolvimento de tecnologias que vão ser necessárias para o ser humano ocupar a última fronteira que tem na terra que é o mar. Hoje andamos no mar enquanto nómadas e não enquanto povos sedentários no mar. Temos de fazer agricultura no mar, viver do mar e ter cidades no mar e essa coisa que pode parecer muito esotérica hoje em menos de 50 anos será uma realidade e vai mudar a geografia humana, politica e a geoestratégica”, defendeu.

Por isso, considerou que o Porto de Sines “nesta costa atlântica vai ser uma área fundamental para fazer esse salto, tal como já foi no passado, vai ser agora no futuro”.

“Há muito tempo que se discutia na NATO o reforço da Europa, a partir da América do Norte, do Canadá e de outros países, e isso faz-se através da autoestrada gigante que é o oceano atlântico norte e os pontos de chegada dessa autoestrada são alguns portos europeus, um dos quais o Porto de Sines que tem uma localização fantástica”, adiantou.

Para o almirante, num conflito armado, Sines tem “um porto de águas profundas, aberto ao oceano e numa zona muito controlada, daí a necessidade de a Marinha ter um papel de controle desses fluxos marítimos que alimentam depois a Europa que necessita de fontes alternativas, de energia, de cereais e de outros produtos”.

“Faltava uma guerra para mostrar o que certas dependências criam em termos da liberdade geoestratégica de países e regiões. A independência é criada com alternativas e, se não temos alternativas, ficamos dependentes das vontades das pessoas que controlam esses poucos recursos”, sublinham.

No seu entender, “havia uma cegueira que muitas vezes tem que ver com a eficiência económica e depois esquece-se que além da eficiência tem de haver segurança”.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s