Orcas ao largo de Sines. Caso isolado ou nem por isso?

Um encontro com orcas em Sines, na madrugada do passado domingo, resultou no naufrágio de um veleiro e suscitou um aceso debate sobre a natureza das interações entre orcas e humanos. Afinal, como explicar este fenómeno? Os investigadores apontam várias explicações possíveis: as redes sociais, o crescimento da população de algumas espécies de atum e a curiosidade natural dos cetáceos mais jovens. Os dados recolhidos pelo Grupo de Trabalho Orca Atlântica comprovam uma tendência crescente de interações entre orcas e embarcações em águas ibéricas. Em 2020, o saldo é de 51 interações; em 2021, este número mais do que triplicou para 185. O relatório ressalva que nem todas estas interações foram tão perigosas como a de Sines, “sendo em alguns casos meros contatos com navios que não causaram danos”.

Embora existam “registos de outros casos de interações noutras partes do mundo”, trata-se de casos esporádicos e geralmente causados por animais isolados. Na Península Ibérica, este fenómeno comportamental parece ser específico a uma subpopulação “muito pequena” e “ameaçada” destes mamíferos: as Orcas do Estreito de Gibraltar e Golfo de Cádiz, que percorrem o Mediterrâneo em perseguição da sua principal fonte de alimentação – o atum.

Os investigadores Sofia Silva e Alfredo Rodrigues, coordenadores científicos da organização Sea Shepherd Portugal, reconhecem o ano de 2019 como um ponto de viragem na frequência destes eventos, até então raramente comunicados. “Não é um padrão normal de todo”, frisam, indicando uma possível explicação para o fenómeno. “Cada vez mais temos telemóveis, redes sociais, tudo facilmente à mão, o que faz com que exista uma disseminação da informação muito maior do que havia antigamente.” E, debruçando-se especificamente sobre o incidente de Sines, “se algo assim aconteceu há 150 anos ninguém tinha uma rede social à mão para poder comentar”.

A análise do grupo Orca Atlântica parece sustentar esta hipótese, ao explicitar as dificuldades na recolha de relatos e ao relevar o papel da tecnologia neste contexto. Alguns dos casos registados foram comunicados pelas autoridades marítimas ou pelos próprios tripulantes dos navios, mas noutras instâncias a fonte de informação partiu de órgãos de comunicação social ou de redes sociais.

Apesar de comummente apelidadas “baleias assassinas”, as orcas não matam (nem comem) seres humanos. Na verdade, e apesar do seu grande porte, estes cetáceos nem sequer são baleias – são “golfinhos como os restantes”. 

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