“Há um mito de que Sines pode abastecer a Europa toda”

Em declarações, à Renascença, Ângelo Correia, ligado ao processo da introdução de gás natural no nosso país, especialista na área e em relações entre Europa e África, considera que Moçambique pode ser visto como alternativa a curto e médio prazo, mas, quanto a Sines, defende que há mais portos e mais bem equipados. “É uma alternativa momentânea, em escala reduzida e pode ser uma boa alternativa a médio prazo – num prazo de cinco a sete anos. A bacia do rio Rovuma, que faz fronteira entre a Tanzânia e Moçambique, é uma zona onde foi descoberta uma das maiores jazidas do mundo, onde existem já três concessões distribuídas. A primeira, à Eni que tem como base a vila de Palma, duas que são à Total francesa, onde está no consórcio a Galp, e está outra com a Exxon americana. Simplesmente, as duas zonas que, penso que são maiores, a da Exxon e da Total vão demorar, pelo menos, cinco a sete anos”, explica Ângelo Correia.Contudo, defende que o “mito” de Sines como abastecedor de toda a Europa é falso e que Sines tem “alguma capacidade”, mas existem portos mais bem equipados. “Há um mito de que Sines pode abastecer a Europa toda: falso. Sines tem alguma capacidade de transhipment e tem alguma capacidade de desliquidificação e passagem a gás. Tem alguma capacidade, mas se estamos a pensar e a dizer que Sines é o grande porto abastecedor da Europa é falso, porque existem, por exemplo, na Península Ibérica sete unidades parecidas com a de Sines, mais desenvolvidas, com maior capacidade e menor utilização”, justifica Ângelo Correia. A ser uma realidade, o transporte de gás de Moçambique para Portugal demoraria uma semana a ser feito via marítima e em estado liquido tendo depois de ser transformado em Sines para o estado gasoso. “A chegada de Moçambique à Europa demorará pouco mais de uma semana só, o problema será a capacidade de produção e extracção que, hoje em dia, Moçambique tem e que só a Eni é que o faz. As outras duas grandes concessionárias, que são a Total e a Exxon, do meu ponto de vista, será a médio-longo prazo. Não embarquemos na ideia de que vamos ter o problema da Europa resolvido com Moçambique, vamos ter mais um contributo, mas não será suficiente”, conclui o especialista.

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