As empresas e a sua responsabilidade no desenvolvimento da comunidade

Desde 1970 que o território de Sines tem servido ininterruptamente o país. E ainda bem. Creio que hoje, passados mais de cinquenta anos da revolução industrial local que lançou a transformação da imagem do pedaço de Costa Alentejana que nos cabe, creio, dizia, que a generalidade da população local entende e aceita o serviço que Sines presta ao país, sem prejuízo dos naturais desconfortos em relação a esta ou àquela dimensão específica do processo de mudança.

Numa localidade onde historicamente predominaram atividades relativas ao setor primário, o complexo portuário-industrial veio garantir um tipo de empregabilidade distinto, com garantias diferentes e uma nova visão de futuro para muitos sineenses. Mas não queremos, neste artigo, focarmo-nos nessas conhecidas dimensões. Importa refletir, ainda que brevemente, sobre a maneira como as empresas que se estabeleceram em Sines se envolvem na comunidade, contribuindo para o seu desenvolvimento.É comum, nestas discussões, a observação de que por utilizarem um certo território para a sua atividade, as empresas que nele se estabelecem devem compensar as suas populações pelas externalidades negativas que naturalmente originam. A resposta, por parte das contrapartes menos interessadas em nesse processo se envolverem, costuma ser a de que já o fazem, através da criação de postos de trabalho que são maioritariamente ocupados por naturais dos referidos munícipios.Vejamos. É objetivamente verdade que a criação de postos de trabalho mais ou menos especializados num certo território poderá constituir um conjunto de novas oportunidades para os seus naturais, melhorando as condições de vida dos próprios e respetivas famílias. Contudo, importa relembrar, sublinhando-o, que o trabalho é uma prestação recíproca, em que ambas as partes devem sair beneficiadas: os trabalhadores efetuam uma prestação de trabalho ao empregador, e em troca recebem uma remuneração monetária. Nesse sentido, não é rigoroso nem justo avançar-se que a mera criação desses postos de trabalho furta os empregadores das outras dimensões da responsabilidade social que lhes devem estar associadas.

Contudo, é da própria natureza do capitalismo contemporâneo que as unidades empresariais não percam tempo ou aloquem meios ao que não pareça poder alavancar os seus lucros a curto-médio prazo. Trata-se de uma vicissitude de todas conhecida, e em relação à qual não creio valer a pena gerarem-se revoltas: este é precisamente um dos momentos em que a boa virtude da política – e, no caso de Sines, dos autarcas – deve agir. Cumpre ao autarca, representante eleito pelo povo, fazer tudo o que estiver ao seu alcance – e se possível, mais ainda – para melhorar e fazer progredir o território cujos destinos lidera. No caso vertente, esta postura passa, obrigatoriamente, por uma atitude dinâmica, proativa e exigente para com as empresas que desenvolvem a atividade no território. Pela própria natureza das coisas, é ao Presidente da Câmara que cumpre o mais importante papel: deve reinvindicar mais apoios para a comunidade, sem receios ou comprometimentos.

Além das prestações em dinheiro habitualmente entregues às associações, as empresas devem envolver-se no processo de desenvolvimento, manutenção e embelezamento do espaço público, nomeadamente através do auxílio à construção de serviços necessários ao território e à população. Numa altura em que as dimensões da responsabilidade social dos grandes grupos económicos parecem atingir um novo e distinto destaque, cabe ao político a destreza e o engenho para levar a água ao seu moinho. Ou no caso, ao moinho de todos. É para isso que foi eleito.

Autor: Gonçalo Naves, vereador na Câmara Municipal de Sines pelo MAISines, artigo originalmente publicado no Setubalense.

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